"Quem sou eu?" Esta é a questão fundamental no yoga. Hoje nos
identificamos com uma ínfima possibilidade de nós mesmos. Não importa por meio
de qual linha no yoga você siga o fundamental é despertar sua verdadeira
identidade.
Enquanto identificados com nossos pensamentos, emoções e sensações
seguimos iludidos. Achamos que somos nossos corpos e nomes. Presos a esta idéia
o sofrimento torna-se inevitável. Tudo relacionado à mente e ao corpo é
impermanente, enquanto nos percebemos apenas nestas dimensões não podemos
encontrar nem verdadeira segurança, nem verdadeira felicidade.
Estamos habituados a abordagens sobre autoconhecimento relacionadas a
padrões mentais, emocionais e físicos (que tem sua relevância e importância).
Mas, no yoga essencial quando se fala em autoconhecimento faz-se referência a
conhecer Aquilo que somos “além” do corpo e da mente, nossa verdadeira
realidade eterna, infinita e imutável.
Podemos reconhecer que surgem pensamentos e emoções em nossas mentes em
momentos que não desejamos. Surgem pensamentos e emoções que não apreciamos.
Mesmo quando decidimos não pensar surgem pensamentos. Não somos nossos
pensamentos, tanto é que podemos observá-los. Quem observa? Quem é este “por trás”
da mente pensante?
“Ioga é um método para restringir a turbulência natural dos pensamentos.
Estes, se não forem dominados, impedem todos os homens, imparcialmente, em
todas as terras, de vislumbrarem sua verdadeira natureza, que é Espírito." Ensina Paramahansa Yogananda.
Praticantes de yoga deveriam estar conscientes do que estão fazendo e do que estão buscando. Devem tomar cuidados para não limitar uma disciplina tão preciosa somente aos objetivos de mente e corpo.
Quando olhamos para o céu e o vemos repleto de nuvens isto não significa
que além das nuvens o puro azul celeste não esteja ali imaculado. Hoje
aparentemente estamos com a nossa “visão” presa as nuvens dos nossos
pensamentos turbulentos e emoções negativas. Mas, isto não significa que “além”
destes pensamentos não esteja presente nossa verdadeira natureza.
Acalmar a mente, reconhecer que seus padrões não são essências e sim construídos,
não se identificar com a mente e manter-se aberto para O Ser Verdadeiro se revelar espontaneamente é praticar yoga.
Texto: Carlos Henrique Viard Junior

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