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Texto do livro “YOGA
PARA NERVOSOS”
AHIMSA – NÃO-VIOLÊNCIA
Evite ser
agressivo ou violento. Aprenda a não reação.
Gandhi, para conquistar a liberdade da índia, usou a
mais poderosa de todas as armas contra o Império Britânico: a mansidão. Ele
acreditou em Jesus, que no "sermão do monte" prometeu que os
pacíficos herdariam a terra.
Da próxima vez, quando você tiver ímpeto de ferir
seja com gesto, seja com palavras, olhares de ira, com desejos de prejudicar
alguém (um empregado, um desconhecido, um parente), procure lembrar-se de que
ele é uma expressão de Deus e assim, nem com pensamento, nem com olhar, nem com
palavras, nem com os nervos você o ofenderá.
Mais eficiente do que evitar agredir é no entanto
passar à atitude de benevolência, isto é, querer bem a todos. Transforme-se em
estação emissora de vibrações benevolentes, assim não terá que reprimir nada e
não terá que sufocar emoções.
Se o ahimsa em
relação aos outros lhes traz tanto bem, em relação a você mesmo chega a
tornar-se condição indispensável à libertação. Se você é benevolente para os
outros, por que há de ser demasiado severo em relação a si mesmo?! Use ahimsa
para quando se reconhecer fraco e imperfeito.
Digamos que você
quer deixar o álcool e não consegue, apesar dos grandes esforços que tem
feito. Pois bem, não seja drástico. Principalmente não diga coisas negativas de
si mesmo a si mesmo. Não se agrida. Isto complica tudo, pois é autosugestão
negativa. Diante de suas capitulações ou quedas, use ahimsa. Relaxe.
Você vai deixar de beber, mas sem violência. "Deixe cair a casca da
ferida." Não cometa a imprudência de arrancá-la.
O que foi dito
em relação ao alcoolismo, é válido em relação a uma recidiva da "coisa",
aos comportamentos compulsivos, obsessivos, irracionais e tudo quanto você
chamaria debilidades.
Tenha ahimsa para si até mesmo quando não
conseguir ter ahimsa para alguém que o ofendeu, quando não puder
reprimir ou frustrar um revide à agressão sofrida.
Mantenha os olhos no objetivo que quer alcançar.
Mesmo que pareça difícil agora, com paciência e ahimsa, você conquistará
ahimsa.
Outra coisa muito importante. Aprenda a ser
benevolente para si mesmo, mas defenda-se de cair no exagero de
autocomplacência e autojustificação.
Ahimsa significa não
morder, não impede no entanto que se mostre os dentes. Jesus, que se deixou
mansamente pregar na cruz, no templo, numa demonstração de ira santa, virou as
mesas dos imorais. O yoguin sabe que a ira é uma das emoções mais destruidoras
e, por isto, evite-a, mas aprende a irar-se estrategicamente, isto é, por fora,
conservando ahimsa, por dentro.
Dose ahimsa. Seja
enérgico quando necessário e na medida necessária.
Para chegar a
não ferir ninguém aprenda a não se deixar ferir por ninguém. Suba a montanha
até não ser alcançado pelas pedradas das crianças e pauladas dos tolos.
Um ahimsa ilimitado
também é imprudente. Não ofender é uma coisa. Não se defender da agressão é
outra.
Ramakrishna
lembra que "a ira no sábio dura tanto como um risco que se faz na
água".
Reflexão: Já não sou vulnerável. Os outros já não conseguem me
ferir. Não ponho minha paz e meu bem-estar ao alcance da agressão que os
ignorantes, doentes e infelizes me atiram. Eu aprendi com Jesus
"Perdoai-os, Pai. Eles não sabem o que fazem". Cada vez mais posso
dizer que Eu Sou perdão, que Eu Sou compreensão, que Eu Sou mansidão.
Aprendi a vencer sem perder a mansidão. Aprendi a não
reagir e, assim, vencer. Não agrido. Não luto. Sou tranqüilo e paciente.
Minha vitória está em não revidar, em não me exaurir no esforço cego e
improdutivo. Minha defesa é minha capacidade de não me zangar. Quero o bem para
todos os seres. (*)
(*)
O soldado corajoso não é violento (Tao)
Professor
Hermógenes
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